O homem e o seu legado

O homem e o seu legado

O artigo de hoje, encarado apenas pelo título, poderia ser interpretado, simplesmente, como uma mensagem de cunho pessoal, em razão da amizade que une este articulista ao homenageado.

Não o é, todavia. E isso porque a personagem que o inspira possui, a justificá-lo, uma dimensão humana extraordinária e uma expressão pública de tal relevância que, com todas as honras, já o fez figurar, em vida, no panteão dos grandes heróis da Pátria: falo do notável jurista amazonense José Bernardo Cabral, que ontem (27/03) completou 94 lindas e iluminadas primaveras, gozando, graças a Deus, revelado pelo Senhor Jesus, de ótima saúde, de muita capacidade intelectiva e pleno de sabedoria, ao lado de sua amada Zuleide.

 

Júlio
Antonio
Lopes
Advogado e jornalista julionjlopes24@
gmail.com

Cabral, para quem teve, e tem, o privilégio de conhecê-lo de perto, é um ser humano adorável, na mais abrangente e convergente significação do termo. É capaz de fazer tudo o que for justo e eticamente possível para ajudar; nunca para prejudicar ninguém.
Só procura construire incentivar; em sua cartilha não constam o ódio, o desânimo ou a revanche. A sua fé é inabalável e uma muralha intransponível contra eventuais malquerenças e desventuras, as quais nenhum de nós está imune.

Não é, evidentemente, perfeito.
Nenhum de nós o é. Suas muitas virtudes, porém, o colocam naquela singular condição de exemplo a ser seguido. Exemplo, aliás, que me serve de norte e, o qual, muitos políticos de hoje se deveriam espelhar.

Na vida pública, para o seu estado e para o seu país, Bernardo Cabral, por tudo o que foi e por tudo o que fez, transformou-se num gigante, num verdadeiro estadista da República, como o nomeei na biografia que escrevi. 

Ele, em outros e melhores tempos, estaria ilustrando, com sua bela e edificante história de vida, os livros e os trabalhos escolares da juventude, posto que se ombreia aos vultos formadores da brasilidade. Teria estátua em praça pública, museu para preservar-lhe a memória e seria cantado em prosa e verso. A Bahia celebra Rui Barbosa e Teixeira de Freitas. O Ceará, Clóvis Bevilácqua. Minas, Sobral Pinto.

E o nosso Amazonas? Deve ter o orgulho de celebrar Bernardo Cabral, o Relator Geral da Constituição de 1988, ainda em vigor, a mais longeva da história republicana!

Não foi por outro motivo que juristas de nosso estado resolveram fundar, em 2017, a Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas
(ACLJA), indicando-o como patrono perpétuo e ocupante da cadeira de número 01, dando-lhe as merecidas flores do reconhecimento e da gratidão, a fim de honrá-lo a modo e tempo devidos e garantir, igualmente, a perenidade de seus pensamentos, assim como a trajetória de um homem que, saído da floresta amazônica, ganhou o Brasil e o mundo, enfrentou ventos e tempestades, sobreviveu e conseguiu manter-se íntegro, para construir em meio à desconstrução, como um Sólon redivivo, um futuro diferente e melhor para a terra que teve o privilégio de ser o seu berço e o objeto de sua devoção.

* Ainda este ano publicarei a segunda edição do livro
“Bernardo Cabral, um estadista da República”, com as devidas atualizações.

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